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Autoria de Rosa Méndez
Contribuição de Ideas Waldorf
Era uma vez uma plantinha que vivia em um prado perto de uma floresta. Ela estava sempre triste, porque quando Deus a criou não lhe deu um nome e ela nunca teve flores. Às vezes, no verão, ela se esticava em direção ao sol com todas as suas forças, pretendendo alcançá-lo e se transformar em flor. Mas quando a tarde chegava, via que nada havia mudado nela, e voltava a ficar triste. Pensou que nunca teria flores ou frutos como as outras plantas. Por muito tempo viveu perto dela uma pequena pedra, redonda e lisa como um seixo. Um dia perguntou-lhe:
– Você não pode se alegrar como eu quando o sol me faz brilhar ou quando a chuva muda minha aparência?
– Não, disse a plantinha. Eu não sou uma pedra. Você não pode me entender. Estou triste porque nunca tive uma flor e porque ninguém no mundo me deu um nome.
– Bem, se você quiser, eu posso me tornar sua amiga para te entender melhor.
– Sim, disse a planta.
Mas eis que a pedrinha amou tanto a plantinha que depois de um tempo ela também ficou triste. Um dia de outono houve uma grande tempestade. A chuva forte fez com que a água caísse por toda parte; então a pedrinha rolou e rolou ladeira abaixo até chegar muito longe, até um buraco tão fundo que chegava ao fundo da Terra.
A pedrinha ficou atordoada, então olhou lentamente ao seu redor e percebeu que havia caído no meio de um grupo de anões. Ela começou a pensar em sua amiga a planta e ficou triste. Um anão vermelho que parecia muito alegre notou isso e perguntou:
– Por que você está sempre tão triste, pedrinha?
– Eu choro porque minha plantinha chora.
– E por que ela está chorando?
– Porque nunca tem flores e ninguém lhe deu nome.
– Ah, eu te entendo – disse o anão feliz. E também se entristeceu como a pedrinha e a plantinha.
Muitas vezes, quando ele saía para passear na floresta, ele se sentava em uma pedra ou em um grande cogumelo e chorava. Um velho que morava naquela floresta se aproximou dele um dia. Ele era um eremita, um homem santo, e conseguia ver os anões, elfos e gnomos.
– Por que você está chorando assim, meu bom homenzinho? – perguntou ao anão vermelho.
– Eu choro por causa de uma amiga: a pedrinha redonda.
– E o que aconteceu com sua amiga?
– Ela está triste porque sua amiga, a plantinha, não tem flores nem nome.
– Ah, muito bem! – disse o eremita. Já que você chora por causa daquela plantinha, vou tentar ajudá-lo. Subirei ao topo da montanha para estar mais perto do céu e falarei com Deus e com seus anjos. Volte amanhã para me ver.
No dia seguinte, o eremita recebeu o anão com um grande sorriso.
– Corra rapidamente para a sua amiga pedrinha para lhe contar as boas novas. Deus reservou para sua amiguinha uma alegria que nenhuma planta jamais teve:
– Ela florescerá nas profundezas do inverno, quando nenhuma planta tem flores ou folhas, e será parte de um grande mistério.
O anão agradeceu ao eremita e correu o mais rápido que pôde para encontrar a pedrinha em seu buraco. Os dois então subiram a ladeira em busca da plantinha. Encontrando-a, eles decidiram descansar perto dela.
A pedrinha a amava com toda sua força e o anão vermelho a ajudava, a regava, arejava a terra ao seu redor, e pouco a pouco botões foram se formando.
E eis que chegou a noite mais longa do ano e uma estrela maravilhosa e desconhecida apareceu no céu. Ela tocou a plantinha com seus raios e então, de suas folhas verdes, lindas flores começaram a se abrir.
– Quero ir ver aquela estrela, – disse a planta. O anão vermelho a levou junto com a pedrinha lisa e redonda e dirigiu-se para onde indicava a estrela.
Assim os três chegaram a manjedoura, onde acabava de nascer o Menino Jesus e ficaram admirando-o. Maria estendeu a mão para a plantinha florida e disse:
– Aproxime-se, pequena Rosa de Natal. É assim que você será chamada.
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