22 de março de 2026

A planta sem flor e sem nome

Autoria de Rosa Méndez
Contribuição de Ideas Waldorf

 

Era uma vez uma plantinha que vivia em um prado perto de uma floresta. Ela estava sempre triste, porque quando Deus a criou não lhe deu um nome e ela nunca teve flores. Às vezes, no verão, ela se esticava em direção ao sol com todas as suas forças, pretendendo alcançá-lo e se transformar em flor. Mas quando a tarde chegava, via que nada havia mudado nela, e voltava a ficar triste. Pensou que nunca teria flores ou frutos como as outras plantas. Por muito tempo viveu perto dela uma pequena pedra, redonda e lisa como um seixo. Um dia perguntou-lhe:

– Você não pode se alegrar como eu quando o sol me faz brilhar ou quando a chuva muda minha aparência?
– Não, disse a plantinha. Eu não sou uma pedra. Você não pode me entender. Estou triste porque nunca tive uma flor e porque ninguém no mundo me deu um nome.
– Bem, se você quiser, eu posso me tornar sua amiga para te entender melhor.
– Sim, disse a planta.

Mas eis que a pedrinha amou tanto a plantinha que depois de um tempo ela também ficou triste. Um dia de outono houve uma grande tempestade. A chuva forte fez com que a água caísse por toda parte; então a pedrinha rolou e rolou ladeira abaixo até chegar muito longe, até um buraco tão fundo que chegava ao fundo da Terra.
A pedrinha ficou atordoada, então olhou lentamente ao seu redor e percebeu que havia caído no meio de um grupo de anões. Ela começou a pensar em sua amiga a planta e ficou triste. Um anão vermelho que parecia muito alegre notou isso e perguntou:

– Por que você está sempre tão triste, pedrinha?
– Eu choro porque minha plantinha chora.
– E por que ela está chorando?
– Porque nunca tem flores e ninguém lhe deu nome.
– Ah, eu te entendo – disse o anão feliz. E também se entristeceu como a pedrinha e a plantinha.

Muitas vezes, quando ele saía para passear na floresta, ele se sentava em uma pedra ou em um grande cogumelo e chorava. Um velho que morava naquela floresta se aproximou dele um dia. Ele era um eremita, um homem santo, e conseguia ver os anões, elfos e gnomos.

– Por que você está chorando assim, meu bom homenzinho? – perguntou ao anão vermelho.
– Eu choro por causa de uma amiga: a pedrinha redonda.
– E o que aconteceu com sua amiga?
– Ela está triste porque sua amiga, a plantinha, não tem flores nem nome.
– Ah, muito bem! – disse o eremita. Já que você chora por causa daquela plantinha, vou tentar ajudá-lo. Subirei ao topo da montanha para estar mais perto do céu e falarei com Deus e com seus anjos. Volte amanhã para me ver.

No dia seguinte, o eremita recebeu o anão com um grande sorriso.

– Corra rapidamente para a sua amiga pedrinha para lhe contar as boas novas. Deus reservou para sua amiguinha uma alegria que nenhuma planta jamais teve:
– Ela florescerá nas profundezas do inverno, quando nenhuma planta tem flores ou folhas, e será parte de um grande mistério.

O anão agradeceu ao eremita e correu o mais rápido que pôde para encontrar a pedrinha em seu buraco. Os dois então subiram a ladeira em busca da plantinha. Encontrando-a, eles decidiram descansar perto dela.
A pedrinha a amava com toda sua força e o anão vermelho a ajudava, a regava, arejava a terra ao seu redor, e pouco a pouco botões foram se formando.
E eis que chegou a noite mais longa do ano e uma estrela maravilhosa e desconhecida apareceu no céu. Ela tocou a plantinha com seus raios e então, de suas folhas verdes, lindas flores começaram a se abrir.

– Quero ir ver aquela estrela, – disse a planta. O anão vermelho a levou junto com a pedrinha lisa e redonda e dirigiu-se para onde indicava a estrela.

Assim os três chegaram a manjedoura, onde acabava de nascer o Menino Jesus e ficaram admirando-o. Maria estendeu a mão para a plantinha florida e disse:

– Aproxime-se, pequena Rosa de Natal. É assim que você será chamada.

 

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