Capítulo do livro Pedagogia Waldorf 100 anos+
Euritmia do 12° ano – foto de Milton Ostetto – Escola Waldorf Anabá – Florianópolis SC
Em 1912, atendendo ao anseio de uma jovem por um “tipo de dança ou ginástica” que pudesse se harmonizar com o conhecimento espiritual do homem, Rudolf Steiner deu as primeiras indicações para a criação de uma nova arte de movimento, baseada na concepção de mundo e na visão do ser humano segundo a Antroposofia. Foi a jovem Lory Meyer-Smits, com seus 19 anos, que desenvolveu os primeiros elementos dessa nova arte, sempre sob a orientação de Rudolf Steiner e com a participação de Marie Steiner von Sivers. Logo a seguir uniram-se a ela outras personalidades que participaram da ampliação paulatina dos elementos dessa nova dança.
A Euritmia tem o poder particular de unir movimento, emoção e pensamento, e fazer fluir o que está estagnado, favorecendo a respiração, ampliando a percepção corporal, espacial e social, refinando a sensibilidade musical e poética, fortalecendo o pensar, produzindo bem-estar e saúde. Ao contrário da ginástica, que trabalha as forças físicas da gravidade, seus movimentos são coreografias, solísticas ou em grupo, sobre a linguagem poética, em verso ou em prosa, e sobre a música instrumental tocada ao vivo.
Como arte, ela se propõe a pesquisar o movimento intrínseco da linguagem poética e da música, como ele se configura no fluxo da fala e no desenvolvimento dos sons, com todos os seus matizes de sentimento, levando também em consideração o conteúdo específico expresso pelo poeta ou pelo compositor. Esse elemento artístico plástico da fala e da música é transposto para o espaço cênico através do movimento coreográfico, complementado pelas cores das indumentárias e da iluminação. Simultaneamente com recitação ou música ao vivo, na Euritmia se dança o desenvolvimento dos sons de poesias e músicas, em toda a sua complexidade.
Numa escola Waldorf, a euritmia está presente desde o jardim de infância até o final do Ensino Médio. Desde sua criação original, em 1912, a Euritmia vem sendo desenvolvida, especialmente na Europa (Alemanha, Holanda, Suíça e Inglaterra), e hoje também na Escandinávia, Rússia, Estados Unidos, Argentina e Brasil. Com o passar dos anos realizaram-se inúmeros cursos e foram publicados trabalhos, livros e artigos sobre essa nova arte, inclusive sobre sua aplicação pedagógica e terapêutica.(1) Em 2012 foi criada a ABRE — Associação Brasileira dos Euritmistas, dedicada a apoiar o desenvolvimento desta nova arte no Brasil. Também há cursos profissionalizantes. A euritmia se realiza em quatro campos de atuação: como arte cênica, como complemento pedagógico no ensino fundamental e médio, como atividade terapêutica e como atividade de integração social em instituições e empresas.(2)
“Euritmia é tornar visível o som da palavra, realizar movimentos com a gestualidade do som. Estudamos a fundo todas as leis gramaticais, as relações do som com os planetas, com o zodíaco. Entramos em contato com a nossa origem, com o que não é material, e na Euritmia isso ganha corpo. Então, cada vogal, cada consoante tem um gesto e o mesmo é vivenciado, dançado. Não é algo para conhecer ou elaborar intelectualmente, mas para gerar um novo relacionamento com nossa essência. Movemo-nos conscientemente com essas forças. Em um mundo onde há cada vez mais desconexão, crises de identidade e falta de relacionamento com nossa essência primordial, realizar esse encontro com nossa origem é algo bastante salutar.”(3) Ananda Wanderley
Fontes
1. Site da Sociedade Antroposófica do Brasil https://www.sab.org.br/
2. Site da ABRE https://www.euritmia. org.br/
3. Entrevista publicada no Portal Flores no Ar https:// portalfloresnoar.com/
Para que você tenha uma ideia melhor sobre a Euritmia, acrescentamos dois vídeos abaixo. Um mostra crianças começando a aprendê-la no jardim de infância, e outro mostrando uma apresentação executada por jovens.
Euritmia no Jardim de Infância
Lôro – Egberto Gismonti – Euritmia Jovem
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